terça-feira, 13 de outubro de 2009

Desabafo

Desde de que me entendo por gente, escuto que tenho que ser alguém na vida, que tenho que me formar, que tenho que me especializar, que tenho que fazer cursos... em contrapartida escuto que eu tenho todo tempo do mundo, que tenho que ter calma, que tenho que fazer uma coisa de cada vez, que tenho que focar... "essa é a hora de errar, vc ainda tem muito tempo pela frente..."

Minha cabeça vai a mil por hora... não sei pra onde correr, não sei que caminho seguir, não sei se estou no caminho certo... Muitos dizem que tenho que me dedicar à minha carreira artística (musical), outros dizem que tenho que me dedicar ao artesanato e na montagem da minha empresa "Ganzá", outros dizem que eu tenho que estudar muito e ser uma puta jornalista, que eu nasci para isso... afinal, quem sou eu? O que eu quero?

Paro eu em meus zilões de pensamentos - porque ultimamente, um dos meus maiores desejos era parar de pensar por apenas alguns minutos, mas quem disse que Tico e Teco deixam? - e me pergunto: se sou nova, se segundo eles, quero abraçar o mundo com pernas e braços, se estou na fase de errar, de experimentar, de arriscar, de aprender... por que não posso desejar ser eu? E será que quero apenas ser eu? São nesses momentos que me recordo da minha infância, dos contos da carochinha, do Paraíso das Maravilhas em que eu poderia ser o que eu quisesse ser. Tá aí. Já sei. Acho que quero voltar ao tempo e me permitir ser o que eu quiser ser. Já que ainda tenho tempo, quero experimentar, quero sonhar, quero correr atrás do meus sonhos, quero fazer tudo o que tiver e der para fazer, quero ser a Mariana, a Maricota, a Mari, a Marica, Pinto, Machado, Secron. Quero ser jornalista, cantora, dançarina, artesã... mas também quero ter o foco, a responsabilidade, a seriedade, o compromisso. Não quero fazer por fazer... quero ser intensa, quero me doar por inteira, quero me apaixonar pelo o que fizer.

Portanto, meus caros, apertem os cintos, segurem suas emoções, suas crenças, suas opiniões e preocupações que o furacão Mariana já se lançou e vcs pouco perceberam. Tenho certeza que bons frutos virão dessa imensa loucura, podem confiar. Só peço confiança e força. Me deixem ao menos tentar. Enquanto eu estiver dando conta, me deixa, me deixa voar nesses sonhos que antes eram tão inalcansáveis e hoje parecem um pouco mais próximos, me deixem perder esses meus medos, inseguranças, me permitam gritar esse NÃO para que eu possa buscar o meu SIM. Preciso descobrir meus desejos e vontades que estão perdidos em meias cobranças que por muitas vezes podem ser minhas. Deixem-me voar e se nada der certo? A gente começa tudo outra vez. To aprendendo a ser feliz por inteira, plenamente, feliz com minhas conquistas, feliz comigo, feliz como sou. Tenho certeza que posso ser muito mais, muito mais feliz e muito mais eu.


"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
vencer o inimigo invensível
negar quando a regra é vender
sofrer a tortura implacável
romper a incabível prisão
voar num limite improvável
tocar o inacessível chão
é minha lei, é minha questão
virar esse mundo, cravar esse chão
não me importar saber
se é terrível demais
quantas guerras terei que vencer
por um pouco de paz
e amanhã se esse chão que eu beijei
for meu leito e perdão
vou saber que valeu
delirar e morrer de paixão
e assim, seja lá como for
vai ter fim a infinita aflição
e o mundo vai ver uma flor
brotar do impossível chão"

domingo, 30 de agosto de 2009

Homenagem a um poeta

Luiz Carlos da Vila, poeta do suburbio carioca, sempre foi muito adorado por todos. Sua simpatia, originalidade, simplicidade, jeito de malandro o fazia marca registrada nos sambas cariocas. O conheci quando era novinha, mas não sabia da sua tamanha importancia no samba, pena que passei a reconhecer e conhecer tão tarde, após sua ida. Por essa e por outras, pelo seu dom, talento, majestade, deixo aqui uma carinhosa homenagem a esse poeta, querido e pequenino só de tamanho. Nunca é tarde para reconhcer as coisas boas da vida. =]









"A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor
Candeia
O tempo que o samba viver
O sonho não vai acabar
E ninguém irá esquecer
Candeia
Todo tempo que o céu
Abrigar o encanto de uma lua cheia
E o pescador afirmar
Que ouviu o cantar da sereia
E as fortes ondas do mar
Sorrindo brincar com a areia
A chama não vai se apagar
Candeia
Onde houver uma crença
Uma gota de fé
Uma roda, uma aldeia
Um sorriso, um olhar
Que é um poema de fé
Sangue a correr nas veias
Um cantar à vontade
Outras coisas que a liberdade semeia
O sonho não vai acabar
Candeia"









"Se o limite for o infinito

Vou subir até o pico do Everest
Nadar o oceano sem um grito
E de joelho atravessar o agreste
Faço isso tudo e muito mais
Pra te encontrar, te conquistar
E até provar que é minha paz
O inverso dos meus ais
Preto no branco num poema, vou por sim
E onde houver um mal começo por fim
Fazer de tudo pra mudar
Um novo mundo instalar
E com o mundo em minhas mãos
Onde houver talvez ou não eu vou sim

Com as próprias mãos andar a pé ao Bonfim
E num xaxim eu vou plantar
Um baita de um jequitibá
Enraizar mesmo sem chão
São Tomé vai crer sem olhar
E todo mundo vai cantar
Que eu conquistei teu coração"







OBRIGADA LUIZ CARLOS DA VILA!










Fotos: Ierê Ferreira

domingo, 16 de agosto de 2009

Do começo


Sempre gostei da idéia de brincar de ser artista. Desde pequena, foram inúmeras dublagens, coreografias de apresentações de dança na escola, desfiles (embora fosse taxada como gordinha), produção de festas, de artesanatos... enfim... a vontade de estar em meio à arte sempre se fez presente em mim. Aos 16 anos não foi nada diferente, talvez tenha sido o momento em que tal vontade transcendeu. Resolvi escrever um projeto para a escola em que eu estudava. O projeto se tratava de uma mobilização de toda a escola. O tema era: Gonzaguinha. E assim foi. Toda a escola mobilizada. Do prézinho ao segundo grau! O produto final de todos os trabalhos realizados era um "musical" sobre a vida do artista. E assim foi. Tudo por iniciativa dos alunos. Fizemos a escolha do elenco, escrevi o texto, arrumamos parceiros para ajudar-nos com coisas para o camarim, um professor de teatro para ajudar nas marcações do palco, uma cantora para ajudar nas músicas (ninguém precisa saber que era a minha mãe, tá?!)rs, parceria com o Afroreggae com os músicos, além da aprovação de Daniel Gonzaga - filho de Gonzaguinha - enfim, ACONTECEU! Foi um sucesso! Teatro mega lotado, pessoas em pé, sentados no chão... superamos todas as expectativas pessimistas e otimistas, afinal era um bando de criança inexperiente, sem nunca ter subindo num palco dando uma de artores, dançarinos, cantores, diretores, produtores... foi emocionante! No final fomos aplaudidos de pé e a maioria da platéia chorava. A alegria era geral! No dia seguinte foram várias entrevistas para o jornal da Gama Filho e... viramos tema de trabalho para uma turma do curso de comunicação da faculdade. Além disso tudo, inúmeras amizades surgiram apatrir esse evento, amizades inesquecíveis! Talvez um dos momentos mais marcantes da minha vida e com certeza da minha pequenina e iniciante carreira.


"Eu apenas queria que você soubesse que essa criança brinca nessa roda e não teme os cortes das novas feridas pois tem a saúde que aprendeu com a a vida" (Gonzaguinha)
Fotos: Ierê Ferreira

Começando os trabalhos


Para que não me conhece, sou Mariana Secron, tenho 21 anos, além das mil coisas que faço, -como fazer faculdade de jornalismo, ter uma marca de artesanatos, etc - tenho me dedicado ultimamente à minha carreira musical. Canto samba e MPB, por essa razão, estreio meus posts aqui no blog com uma música que exemplifica um pouco a minha relação com a música, além de ser de autoria de um sambista que eu adoro! João Nogueira! Sejam todos bem-vindos! Espero que gostem! =]

Minha Missão
Quando eu canto é para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já tanto sofreu
Quando eu canto estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Nascendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz
Do poder da criação sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida a minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão, tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Há os que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar e canto para viver
Há os que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar e canto para viver
Quando eu canto...
Quando eu canto a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
E a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre canta