Luiz Carlos da Vila, poeta do suburbio carioca, sempre foi muito adorado por todos. Sua simpatia, originalidade, simplicidade, jeito de malandro o fazia marca registrada nos sambas cariocas. O conheci quando era novinha, mas não sabia da sua tamanha importancia no samba, pena que passei a reconhecer e conhecer tão tarde, após sua ida. Por essa e por outras, pelo seu dom, talento, majestade, deixo aqui uma carinhosa homenagem a esse poeta, querido e pequenino só de tamanho. Nunca é tarde para reconhcer as coisas boas da vida. =]

"A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor
Candeia
O tempo que o samba viver
O sonho não vai acabar
E ninguém irá esquecer
Candeia
Todo tempo que o céu
Abrigar o encanto de uma lua cheia
E o pescador afirmar
Que ouviu o cantar da sereia
E as fortes ondas do mar
Sorrindo brincar com a areia
A chama não vai se apagar
Candeia
Onde houver uma crença
Uma gota de fé
Uma roda, uma aldeia
Um sorriso, um olhar
Que é um poema de fé
Sangue a correr nas veias
Um cantar à vontade
Outras coisas que a liberdade semeia
O sonho não vai acabar
Candeia"
"Se o limite for o infinito
Vou subir até o pico do Everest
Nadar o oceano sem um grito
E de joelho atravessar o agreste
Faço isso tudo e muito mais
Pra te encontrar, te conquistar
E até provar que é minha paz
O inverso dos meus ais
Preto no branco num poema, vou por sim
E onde houver um mal começo por fim
Fazer de tudo pra mudar
Um novo mundo instalar
E com o mundo em minhas mãos
Onde houver talvez ou não eu vou sim
Com as próprias mãos andar a pé ao Bonfim
E num xaxim eu vou plantar
Um baita de um jequitibá
Enraizar mesmo sem chão
São Tomé vai crer sem olhar
E todo mundo vai cantar
Que eu conquistei teu coração"
OBRIGADA LUIZ CARLOS DA VILA!
Fotos: Ierê Ferreira






